segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Perdida ou em perdição?

Estava relendo os textos antigos. Voltei a abril de 2008, quando tudo começou...

A noite deveria ser de amor. Era véspera do aniversário de alguém querido, ou pelo menos deveria ser querido. Mas apesar de toda a conversa, ele preferiu estar só, com filha e pais. Sozinho, não. Apenas sem mim. Comi um x-tudo, liguei pra amiga, queria não chorar mais. Já tinha chorado o suficiente aquela noite. Queria estar com ele, dizer-lhe "feliz aniversário, meu amor", mas não havia amor que chegasse para obrigá-lo a me querer do lado, ele havia escolhido com quem queria passar a data e eu estava fora da lista de convidados. Ergui o queixo, fui-me embora e deixei que o poder divino me guiasse. A noite deveria ser de amor, mas estava sendo de risos entre amigos, dança e suor. Por alguns momentos a mágoa deu lugar a satisfação por estar ali. Eu estava ao lado de quem me queria de fato. Olhei pro lado, lá estava ele. Era alto, negro, forte e muito sério. Comentei com a amiga e em segundos ela voltou trazendo a novidade: ele quer você. O melhor de tudo não foi a querência, mas sim, a surpresa dele. Ela? Tem certeza? Não... Ela? Sim, eu mesma. Será que é tão impossível assim? Parece mesmo que eu nunca estou disponível? Pois é, não era pra estar, mas... Estava! O dia seguinte começou a nascer, e sob os raios dourados, eu me aprumava sobre a ponta dos pés ao deixar que aqueles braços fortes e decididos me envolvessem no mais apertado abraço, enquanto os lábios suavemente encobriam os meus. O sorriso tímido, a voz grossa, a pele macia. Ele era perfeitamente normal em suas imperfeições. Estar no mesmo círculo de amigos facilitou nossa vida, fomos corajosamente convencidos de que era a melhor coisa a fazer. E foi. As palavras eram necessárias, mas o pouco tempo nos impediu de proferir todas. Sabíamos apenas de uma coisa: muito tínhamos em comum, muito mais do que apenas o desejo de querer repetir a dose. E assim, a noite foi como deveria: de amor.

As semanas que se seguiram ao nosso primeiro contato foram complicadas. A vontade de estar com ele era absurda. Mas nem sempre podia estar lá. Ele me fazia bem e em tudo combinávamos: escolhemos a mesma carreira, a mesma faculdade, gostávamos da mesma música, tínhamos os mesmos amigos e gostávamos muito da companhia um do outro. Eu queria passar a vida discutindo Recursos Humanos com ele, lendo artigos, revistas, ensinando, aprendendo, trocando. Queria ver fotos, ouvir CDs, ver TV. De abril a junho essa foi nossa vida secreta. Não tão secreta assim, afinal, ele estava solteiro e eu, bem, eu não tinha a quem dar satisfação. Ele me buscava, me levava, exatamente como um rapaz sério deve fazer. Ele me segurava pela mão, como um rapaz respeitador deve fazer. Ele me tirava o fôlego com um beijo, como um rapaz safado deve fazer. Gostava da proteção que ele me oferecia sem nada pedir em troca. Adorava ficar na pontinha dos pés pra alcançar-lhe os lábios ou ganhar um doce abraço, que me circundava todo o tronco. Mas o que eu amava mesmo, era ouvi-lo dizer, entre risos e beijos "você é demais, cara".

Ele era o porto seguro da minha embarcação, que estava à deriva nesse confuso oceano de sentimentos. Com ele reaprendi a ser a menina levada, solta nas ruas. Com ele reabri o sorriso puro e farto de quem se orgulha de ser como é. Com ele tive novamente vinte anos, cheia de ar puro no peito e nenhum talvez no coração. Com ele conheci o maior estádio de futebol do mundo.

Naquele dia, nosso primeiro passeio juntos, eu tinha ainda um receio do perigo do lugar. Quando explodiu o primeiro gol, entendi que ele jamais deixaria me acontecer nada. Multidões pulavam e gritavam ao nosso redor e eu, assustada com tamanha euforia, fui prontamente cercada por um par de braços musculosos, cujo dono achou de comemorar o gol do próprio time, protegendo uma torcedora do time adversário. Quando acabou, pensei: serei despachada no primeiro ônibus. Mas ainda tive o prazer de fazer a viagem de volta a Piedade com uma deliciosa conversa, conhecendo-o mais, aprendendo mais sobre aquele ser que me tornava alegre outra vez.

Nossas tardes eram as mais deliciosas dos últimos anos. O bairro da Piedade foi uma boa surpresa da Zona Norte. Conheci pessoas, ruas e casas. A estação de trem, que já fora palco de uma cena de briga, se tornou o local de descobertas e cenário de uma bonita história de reis. O Rei da Mauritânia e a Rainha de Zamunda, unindo seus povos, semeando amor, construindo a paz dos deuses.

Nossos filmes eram os mais divertidos, mesmo os que não tinham graça. Nossas pizzas e pipocas eram banquetes. Nosso silêncio era o mais suave. Nossos sons, os mais prazerosos.

Um dia, passeando pelo shopping, ele me parou e, cabeça baixa, olhos serenos, me disse: "acho que eu tô me apaixonando por você". E eu, covarde, não reagi. Não disse e não ousei sentir o mesmo. Entre nosso querer e poder havia um amor moribundo, aguardando o despacho final. E eu não tinha coragem suficiente de desligar os aparelhos que o mantinham vivo. Fiquei com aquela frase na cabeça durante todo o passeio.

Apesar da enorme burrice e igual covardia, sabia que poderia sempre contar com aquela amizade bonita e desapegada. Certo dia estava no meio da Suburbana, tarde de uma noite fria, perdida e extremamente amedrontada. Liguei e ele disse, de dentro de uma festa "vai lá pra casa". Mesmo conhecendo o caminho que tantas vezes tinha feito pra ir ao encontro dele, não sabia como chegar lá estando abalada daquela forma. E ele sempre tinha solução pra tudo: desde os números de ônibus, até pagar o táxi quando eu chegasse lá. Não foi preciso no fim das contas. O medo me assaltou de vez e eu voltei ao ponto de partida. Infelizmente. Tempos depois, novamente um pedido de socorro e ele estava ao meu dispor, solícito e amigo. "Vem pra cá" e eu fui, de bom grado e agradecida por não haver mágoa nele e por saber que haveria ali um amigo e protetor. Chovia demais, muitos relâmpagos e trovões. Travei a minha batalha interna: ficar ou lutar? Vesti-me com o short jeans, a novinha bata branca e o tênis branco. Nada havia que acontecer, apenas o colo que eu precisava naquele momento. Dormi sozinha, pois ele foi sair com os amigos e quando a madrugada subiu, senti seu calor do meu lado. E tudo ficou em paz outra vez. De manhã, e como todas as outras vezes, ele acordou primeiro e ficou me vendo dormir. Estranho e bonito, saber que alguém desperta de seu sono apenas pra me olhar enquanto durmo. No dia seguinte, eu tinha uma missão. Era dia de eleição eu deveria buscar o celular. Ele foi comigo até a entrada da caverna do dragão, de lá seguiu viagem e eu fui só, como disse que precisava ir. Cheia de recomendações dele, gravei apenas a última: assim que sair de lá, me liga. Quando saí percebi que estava sendo seguida e desejei do fundo do coração que nada de ruim acontecesse mais uma vez. Fixei o pensamento nele e disse a mim mesma que não era hora de bancar a garotinha-medrosa-fugindo-do-bicho-papão. Liguei pra ele e avisei que estava indo embora, mas não mencionei o fato. Ele certamente me mandaria ir pra casa dele novamente. Eu voltaria com total prazer, mas sabia que poderia ser seguida até lá e, enfim, mudei de ponto de ônibus estrategicamente e sai da zona de perigo. Exatamente como eu previ, não fui seguida, pois tudo dava a entender que iria pra casa. E quando finalmente cheguei, avisei-o do que havia acontecido e a resposta foi a que eu já sabia "você tem que parar com isso". Sim, meu bem, eu deveria não ter nem começado, mas já era tarde demais.

Eu sabia que deveria ter sido menos medrosa e mais ousada. Sabia que deveria ter paciência. Sabia que o que outrora me fizera feliz não se comparava ao que havia por fazer. Sabia de muita coisa, mas não tive a coragem necessária para transformar essa pequena história em uma fantasia multicolorida. Fui realista demais, criteriosa demais, dura demais e deixei que o príncipe fosse embora pensando que, ao invés de Bela Adormecida, eu gostava mesmo de ser a Malévola.

Hoje, nossas bocas que não produzem mais som, deixam que nossos olhos cruzem-se nos caminhos escuros por onde andamos. Há uma quase palpável vontade de correr pra jogar de peito aberto no mar azul dos jovens enamorados pela vida. Dançar com ele era uma das delícias de sábado a noite, vendo e ouvindo-o desejar e elogiar-me. E eu querendo-o igualmente. Sabendo que, alheia ao arrastão de olhares que eu trazia, era o dele que mais me interessava prender. E feliz quando ele dizia "eu perco pra tu..." rsrsrs Claro que perdia, meu amor. Perdia porque eu não pedia, eu roubava na mão grande mesmo. Sua atenção, que era o que mais me importava.

E agora, como que adivinhando meus pensamentos, ele volta a me visitar virtualmente. Gostaria de ter coragem de dizer-lhe o quanto sinto sua falta, o quanto me irrita vê-lo a tão curta distância e ao mesmo tempo tão longe do meu coração. Queria poder ganhar aquele abraço apertado novamente e ficar ali sem dizer nada, nem ouvir nada, apenas sentindo o calor do peito que me acolhe e da mão que acaricia minhas costas. Queria tanta coisa... NA: Escrito em 24 de janeiro de 2009.

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2009.

Queria poder ganhar aquele abraço apertado novamente e ficar ali sem dizer nada, nem ouvir nada, apenas sentindo o calor do peito que me acolhe e da mão que acaricia minhas costas.

Assim eu quis e assim aconteceu. Ganhei tudo o que queria e mais um pouco. Ouvi-lo dizer que sentiu minha falta, tirou-me os pés do chão, elevou-me a décima oitava potência. Dessa vez não tive medo de retribuir tudo, em quantidade e qualidade. Fomos dois animais selvagens, em delicioso embate, embrenhados numa selva musical, cheia de olhares curiosos, ouvidos ansiosos e corações invejosos. Ali, éramos um do outro e mais ninguém se atreveria a dizer o contrário.

Se haverá amanhã?

Se eu acordar, saberei que sim.

L.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Enfim, sós!

O que você faz quando acha que ninguém pode te ver?

( ) Coça o(a) saco (perereca)?

( ) Enfia o dedo no nariz e limpa o salão?

( ) Inclina-se num bom ângulo e solta pum barulhento?

( ) Escreve a primeira besteira que lhe vem a mente?

Agora seremos nós, e tão somente nós.

Volto em breve.

L.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Último post aberto: deixa arder, Lili!

Se a necessidade faz o homem, o que faz a mulher? A oportunidade.

Última chamada para a saída da barca. Em menos de 24 horas perderei o contato com o grande público. Leia-se fofoqueiros. Os amigos e leitores já mandaram seus e-mails para serem adicionados e cuja leitura do blog será permitida somente e estes.

E por falar em fofoca... Uma quentíssima, sobre vossa autora, que certamente os fará dar umas boas gargalhadas. Mas, enquanto não estivermos a sós... E a outra, morna apenas, relata sobre os visitantes do meu perfil no Orkut. Em menos de uma semana fui visitada por nada menos do que quatro pessoas de uma família inteira. Nada de anormal, se não foste esta família aquela em que escolhi não estar. Quando a gente nasce, é jogado em meio a pessoas que não se gosta, mas que, com o tempo aprende-se a amar a uns e tolerar outros. Mas quando se fala em casamento, carregar consigo um marido e mais uma cambada de gente falsa, mentirosa e fria deve ser um fator a ser considerado como possível motivo de enlouquecimento. Positivamente. No meu caso, nem todos foram assim. Apenas os que eu seria obrigada, por força da relação a ter contato constante. Tortura pouca seria bobagem. E a chefe do bando, a cobra, digo, a sogra, lá estava durante dois dias seguidos. Deve ter descoberto que, das 300 fotos, apenas 16 são abertas. E que meu status de relacionamento continua Solteiro. E que, chato isso, né?, não há nenhum recado seu.

Estou cada vez mais inachável, hein? rsrs Que nada... Me encontra quem eu quero que encontre, no devido momento. O que eu quero mesmo é ficar infofocável. Mas eles não deixam. rsrs Por isso, por mais que eu bloqueie, tranque, mude, abandone ou suma, os admiradores desta linda pessoa, estarão sempre ávidos por uma notícia, uma informação qualquer que mostre que eu realmente não presto, ou que, como já sabiam, “Fazer isso é bem a sua cara, mesmo!”.

[Envie uma mensagem para falecom.lucille@gmail.com para informar seu e-mail que lhe dará acesso ao blog iℓµminando os caminhos. Não perca tempo, em breve este blog se tornará restrito aos leitores permitidos pelo(a) autor(a).]

Semana passada, um grande amigo, desbocadíssimo, tanto quanto sua vasta experiência lhe permite ser, me disse assim “Porra! E você ainda vai ficar aí pensando se esse maluco, que te fez barulhou dessa forma vai ou não vai aparecer na sua frente? Ele que se foda! Huahauahuahuha Levanta logo esse rabão daí e parte pro baile, vários galudões te querendo!” E antes de fechar o assunto, ele me deu um alerta: seja mais leve e acessível. Êpa! Ser fácil e dar mole pra todo mundo, é isso? Não, apenas não fechar a cara toda vez que alguém for te cantar, porque o cara se assusta, homem é bicho frouxo. Conselho anotado, pensado e repensado. A hora da confirmação chegou. Ele estava mais uma vez certo. Mais uma, porque de fato fui ao baile naquela semana, sem me importar com nada e nem ninguém e ganhei dois presentes maravilhosos: um beijo no pescoço e um abraço forte e terno. E dessa vez, a sexta-feira foi o que se pode chamar de foi-tudo-que-eu-queria-e-mais-um-pouco. O grupo de seis amigos, três casais, inúmeras risadas e suco na padaria as 7h da manhã. Foi tão perfeita que o sono só chegou as 17:00h de sábado. “Eu sempre fui a fim de você.” Ôooooo hahahaha Ouvir a voz da experiência sempre é um bom negócio.

Estou ouvindo Alicia Keys, Butterflyz. Coincidência com o que ia escrever agora. No último dia de terapia antes das férias, como de costume, dei um longo passeio pelo shopping e encontrei numa loja, uma toalha de banho bordada com borboletas. Enormes e coloridas. Comprei. E logo depois me arrependi de comprar apenas uma. Fui a todas as lojas da rede atrás da bendita e nada. Até mesmo ao tal shopping, que fica ao lado da zona inimiga, me obriguei a ir em busca do que mais queria e que se danasse o resto. Nada. Tentei me conformar, mas não houve jeito de esquecê-la. Além de bem trabalhada, fica linda enrolada em minhas curvas. rsrs Quando do reinício das atividades semanais e obrigatórias no shopping, tornei a procurá-la, afinal, a esperança é a última que morre. E lá estava ela. Dobrada, única, colorida. Apenas uma e minha. Tudo em seu tempo e quando o momento certo chega, o prazer da conquista é ainda maior.

Bom, eu não pretendia escrever nada hoje, apenas avisar que data e hora da restrição a leitura do blog está chegando. (Sim, eu marquei!) Acabei me empolgando. Talvez seja porque acabei de ler um livro hoje, Doces Momentos, de Danielle Steel. Há bastante tempo queria ler algo dela, seus romances carregam uma pitada de amor platônico e histeria, e outras familiaridades. Apesar de não ter sido um livro que eu julgue como ótimo, o enredo me prendeu ao ponto de eu chamar, durante uma semana, a colega de trabalho Queila, de Kezia, a heroína do livro. Em dado momento da história, falando sobre desabafo com um amigo, Kezia, que é escritora, diz sobre seus textos “Me ajuda a tirar os grilos da cabeça. Me dá um lugar em que posso ser eu. De outra maneira, guardando tudo dentro, mais cedo ou mais tarde a alma apodrece.” (p. 279) Palavras que, por sua intensidade e verdade, bem poderiam ser as minhas.

Hoje quando acordei, logo após ver as visitas, olhei pro céu. Um domingo perfeito, um Sol onipresente. Eu com saúde e gostosa. Imaginei... Casada, levantando às 7h pra fazer o café do inútil, arrumando a casa e partindo rumo ao divertido domingo enfurnada na casa da sogra, a toa, vendo Faustão e ouvindo tudo sobre religião da qual não faço parte. Olhei para minhas unhas bem feitas, grandes e cor de jabuticaba. Água e detergente todos os dias estragariam-nas. E essa vida de passarinho de gaiola, certamente estragaria minha juventude.

Sou feliz e estou feliz. Aproveitando os divertidos e bons momentos que meus 28 anos me proporcionam.

Iê, iê, iê! Comes so naturally...

L.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Senhoras e senhores, apertem os cintos

Susto é perceber que seus atos não têm mais o poder de influenciar atitudes alheias.

Olá, mundo!

Pra quem está sempre achando que eu não mudo e nunca mudarei, essa foi a prova de que, durante algum tempo essa afirmação pôde ser verdadeira, mas não mais. Apesar de adorar a visita de cada leitor que por aqui passa, carioca, paulista, baiano, goiano, brasiliense, enfim, todos são mais que bem-vindos à nossa casa.

Mas nem todos.

Fiz o blog pra desabrochar a flor do meu desejo de dizer algo sobre o que sinto, sobre os outros. Escrevo primeiramente pra mim, pra agradar aos meus olhos e coração. Depois penso em quem o lerá. Gosto muito, porém, de receber os comentários, de saber que sou lida e que gostam de minhas palavras. Isso muito me honra. Mas, apesar de falar dos meus sentimentos aqui, não permito, em tempo algum, que tentem fazer da minha vida um circo. E o pior é que nesse circo não faço papel de palhaça, mas sim, de picadeiro, onde o verdadeiro palhaço Mário Otário se apresenta, com suas piadinhas sem graça e um chapéu furado, querendo ficar na aba do chapéu dos outros.

Portanto, queridos leitores, em respeito a nós, a mim que escrevo e a vocês que me lêem, nosso espaço passará a ser reservado. Já havia avisado aqui que faria isso, lembram? Pois é. Sabia que não lembrariam. Esse é um grande erro: achar que eu jamais serei capaz de cumprir o que digo. Minhas palavras levam o tempo necessário pra se tornarem atitude, mas quando se transformam, não há retorno. Tudo já está decidido, e como podem ver, reabri o blog apenas para avisar aos que ainda não entenderam: a partir de agora, só lê o blog quem tiver permissão de leitor ou autor.

Recebi inúmeros protestos via Orkut, MSN e até no e-mail do trabalho. Não imaginava que fossem tantos. Obrigada...

Não se esqueçam de mandar o e-mail pra que possa adicionar à lista de permissões, desta forma continuarão tendo livre acesso a nossa querida casa. Mandem pro e-mail particular, ou pra esse aqui ao do lado direito. Quem já me mandou, não precisa repetir, pois já estão salvos.

Agora se apressem! Estão esperando o que pra me mandar o e-mail? Andem logo, pois em breve retornaremos as nossas atividades normais, com um texto daqueles, bem recheado de suspiros e ventanias. E novidades deliciosas.

Quando estiver a sós com vocês, poderei escrever tudo com o habitual amor e uma dose extra de sinceridade. Quero contar dos meus amores e desamores. Do furacão que passou por mim ano passado, um vento fortíssimo, que me rodopiou e me fez cair estatelada em Piedade. Quero contar como Dona Marli fez o melhor feijão do ano e o melhor filho de todos os tempos. Quero gravar em palavras o que só sabem nossos corações, daquelas tardes na Piedade, subindo e descendo ruas de mãos dadas, as noites na porta da faculdade. Quero dizer que talvez tenha sido a pessoa mais importante do ano passado, que me fez rir e apenas rir, que me levou ao Maracanã e me apertou forte quando o time dele fez gol no meu, que me fazia ficar na pontinha do pé pra ganhar beijo, que carregava minha bolsa cheio de sua inegável masculinidade, que me protegia de tudo e de todos. Ah, que tempo maravilhoso, dos nossos aniversários na mesma época, das profissões iguais, das músicas, das tristezas, das pizzas, dos desejos, das pipocas, dos filmes, dos peixes, do vestido jeans, da frase mais bonita que eu poderia ter ouvido.

Eita! rsrs Se deixar eu faço um relato completo, e ainda não é o momento. Isso é só uma amostra do que virá. Tanta coisa que eu preciso registrar! A intenção – que já foi devidamente conversada – não é criar ciuminho, nem fazer parecer que meu coração está em chamas por pessoas do passado. Não. Como diz a descrição do blog, a memória é falha. Quero um dia sorrir ao ler todas as aventuras da vida, ao lado de pessoas que fizeram meus dias felizes apenas com um “Bom dia”.

Só não prometo comentar os fatos negativos. Ainda mais agora que a paz reina finalmente. Vamos deixar os mortos nos seus devidos lugares. O que foi bom, foi maravilhoso e o que foi ruim, valeu de experiência.

E agora com muitas fotos bacanas, o pessoal que não tá no Orkut vai poder matar as saudades de mim, enquanto eu não apareço. Estou ansiosa! E vocês?

Um beijo mega carinhoso aos leitores de GO, DF e Luanda - Angola (África). Obrigada por tudo até aqui.

M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o DIA!!!!

L.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Amanhecendo e anoitecendo

No intuito de machucar, corre-se o risco de sair ferido.

Acabou. Tudo está calmo agora. Foi muito mais difícil e doloroso do que eu imaginei. Relutei até o último segundo, mas estava convicta de que era a única solução. Sabia, mas não queria. E fiz. Não se pode passar a vida vendo as nuvens a cruzar o céu. Algo havia que ser feito, para o bem ou para o mal, mas que fosse feito. Tomei a atitude que julguei melhor para manter um fio de sanidade em mim, para ter a opção de querer cultivar mágoa ou não, para estar em paz. Fiz porque sabia que eu era a única a ter no sangue a palavra “ação”, se eu não agisse nada mudaria. Como sempre. Fiz e doeu. Sabia que assim seria. Acabou e nada mais importa, afinal, pra frente é que se anda, especialmente quando há substituição. Nada mais pode me atingir, porque eu determinei assim. Agora continuo a caminhada, com dupla e renovada esperança. São dois novos caminhos. E uma única e forte vontade de estar bem.

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Acordei com a luz da manhã em mim. Lá fora passarinhos brincavam. Levantei, arrumei o corpo e endireitei a alma. Teria que recomeçar, mas como J. não estava a fim e nem eu, nos demos mais um dia de férias. Ou de folga, como diz meu afilhado caçula “férias é igual a folga”. rsrs Estava andando rumo ao ponto quando resolvemos, mas não iria voltar. Estava liberta agora, queria estar só comigo, fazendo minhas auto-análises e rindo do alheio. Andei. Impressionante como meu bairro consegue ser apaixonante mesmo depois de anos de conhecimento. O verde, o ar, as construções, os animais silvestres, o bondinho. Tudo aqui me faz admirá-lo e, modéstia a parte, tê-lo como um dos mais bonitos da cidade. Sem modéstia alguma: o mais bonito do mundo. Pensando e ouvindo música fui bem longe, ainda cansada da noite anterior, mas completamente disposta. As pessoas, os sorrisos amigáveis, coisas que só encontro por aqui. Lembrei que um dia considerei morar em outro lugar, zona norte, perigo iminente e real. Hoje agradeço a Deus por não ter conseguido. Como eu poderia não mais ver macacos e borboletas a me saudar no iniciar do dia? Sorri diante das casas de comércio, a padaria, a mercearia, o bar. Gosto de todos e acho graça nos avisos em três línguas, motivo pelo qual constato que não só eu aprecio a vida por aqui, mas o restante do mundo também. Permiti-me bancar a turista, entrei na loja de artesanato e me diverti. A surpresa mesmo ficou por conta das bonecas. Estavam no interior da loja, enfeitando um dos cestos de bonecas de pano, os cabelos pretos inegavelmente conhecidos. As bonecas de pano da minha avó, a minha artesã. Saí de lá a passos curtos, segui para a locadora. Filmes antigos e raros, coisa que só mesmo por essas bandas poderia encontrar. Passei uma manhã deliciosa e contente por poder explorar meu próprio mundo, aprofundar as raízes e ter certeza de que, como diria Gilberto Gil em Aqui e Agora, “O melhor lugar do mundo é aqui”.

A noite me trouxe uma Lua cheia, perfeita, enorme sobre a Baía de Guanabara. Ver a noitinha caindo e a Lua nascendo é algo extremamente confortador. A beleza da cena e sua pluralidade me despertam o sentimento mais romântico, me fazem querer aquilo que normalmente desejo, só que em maior grau: amor.

Dancei e bebi. Pouco e muito. Recebi tanto carinho, não sabia mais como retribuir. Foi uma noite especial, de muito e muito riso. Infinitas gargalhadas. Não me lembro de ter rido tanto assim há muito tempo. Estava lá quem tinha que estar. Pensei numa coisa, mas achei que fosse produto da imaginação muito fértil e autoconfiante. Quando ouvi da boca de um amigo, tive certeza de que não era. “De um tempo pra cá você está mais sedutora, mais sensual, mais mulher.” É, tinha percebido isso, mas não sabia o motivo, porque nada foi planejado. Talvez seja da idade, talvez a mudança de postura. Ou ambos, pois o primeiro trouxe o segundo. O fato é que a noite foi altamente divertida.

Quando tudo acabou, éramos só nós dois. Ou melhor, nós três. Havia ainda a dúvida conosco. O Sol nos envolveu em desejos e despertou sentimentos adormecidos pelo tempo e pelo “respeito”. Meses a fio mantendo uma distância segura, contendo pelas rédeas os animais selvagens que travam nosso embate, obedecendo as nossas próprias regras. Para quê mesmo? Muitas foram as tentativas de separar nossos corpos e mentes. Como haveria de ser se os corações foram soldados com fios de um amor incomparavelmente forte? Quando você está triste, te faço sorrir. Quando eu choro, você me arranca gargalhadas. Quando estamos felizes, compartilhamos a mesma alegria. Porque antes de tudo e depois de tudo, a amizade é nosso maior presente. Não há no mundo pessoa que me conheça em pele, razão e fantasia tão bem. Duas crianças tão maduras e dois adultos inventivos. “Você confia em mim?” Pergunta sem sentido. Confiaria minha vida a você se fosse preciso. E o beijo tomou-me em proporções vulcânicas, percorreu o curto caminho entre o querer e a necessidade e agitou todas as partículas do meu corpo. Ah, como eu precisava daquilo... Um beijo de carinho, sem maldade sexual, apenas um gesto de amor e entrega. É todo esse sentimento que nos move, que nos une. Depois do apertado e demorado abraço, despedimo-nos com a nítida sensação de que as amarras estão se rompendo. Quando e como não nos cabe tentar adivinhar. Corpos são do homem, mas sentimentos são de Deus.

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Fê, obrigada por estar comigo nessa semana. Muito mais na sexta. É o mínimo que posso te dizer, porque eu devo mesmo é agradecer a Deus por ter uma amiga tão fiel e presente, muito mais do que se estivesse do meu lado. Te amo muito mais.

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― Tia, você queria eu?

― Hã?

― Você queria eu?

― Como assim queria você?

― Se você queria eu, seu sobrinho.

― Claro que queria, assim, desse jeitinho que você é. – E lá foi ele satisfeito, piscina a dentro, com a confirmação que precisava pra ser feliz, sabendo que mais do que amado, ele foi desejado assim como até hoje. O ser humano e suas necessidades afirmativas.

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E falta apenas uma semana! Quando o navio aportar, ouvirei aquele “oi, amor” de que tanto gosto de ler. As pererecas enlouquecidas o aguardam, ansiosas. Esperaria pacientemente a vez de ganhar meu abraço, cheio de saudade do amigo. Mas como fui convidada a furar a fila... hahahaha Você é o pior de todos, Igo!

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Show da Roberta Sá no Circo Voador. Bora?

“Enquanto isso, anoitece em certas regiões

E se pudéssemos ter a velocidade para ver tudo

Assistiríamos tudo...”

Marisa Monte em Enquanto Isso

Abençoada semana para todos nós!

L.